Eu quero ser magra. Não que eu seja obesa. Na verdade, eu
até estou dentro do meu peso ideal, e não teria nada para me preocupar se não
fosse uma taxa de colesterol altíssima que me deu há quatro meses.
Na verdade, nunca me bateu um desejo tão intenso de
emagrecer como quando saiu o resultado desse exame. Sei lá, a ficha caiu. Eu
sempre achei que fosse magra de ruim, que poderia comer o que eu quisesse teria
um corpo legal e a minha saúde de ferro. Foi aí que eu percebi que não era
assim.
Foi aí que eu vi que eu, que vivia no limite da magreza,
precisei perder 5 kg para chegar ao meu peso ideal. E comecei a calcular como
meu peso começou a subir. Pensando bem, não foi do dia pra noite. Pensando bem,
mesmo tendo uma alimentação regrada, eu não podia comer doces todos os dias.
Que eu precisava comer doces, sei lá, quase nunca, se possível. Que rótulos de alimentos
passaram a ser importantes.
Foi aí que bateu todo um alerta de que se foi difícil perder
peso agora, aos 21 anos, imaginem aos 40 quando o metabolismo não ajuda? E
mesmo todos dizendo que estou magra, ainda vejo uma barriga saliente, e ela me
incomoda. Parece pouca para quem vê de fora, mas para mim é muito.
Sabe por quê? Porque ligo a TV e vejo mulheres de 40 anos
com barrigas de tanquinho. Ah, aquelas atrizes magras da novela que me lembram tempo
inteiro de qual o corpo eu gostaria de ter.... E eu, uma reles mortal com metade
da idade, tenho um corpo pior. E quando eu tiver 40?
Eu engordei esses 5 kg que tirei de mim quase sem perceber,
achando que comia sem engordar. Agora, com um olho na comida e outro na
balança, sei que uma fatia de torta de chocolate me custa alguns gramas a mais
e que pra compensar eu precisaria de uns três dias de dieta seguida á risca.
Que pra queimar suas calorias eu precisaria de pelo menos 3h de atividade
física intensa. Que eu mal tenho tempo para fazer.
Pareço paranoica? Talvez. Mas não estou paranoica sozinha.
Posso citar diversas mulheres até mais magras que eu que vivem na dieta, tudo
seguido à risca. Todas nós queremos competir com a moça da TV, por mais que os
homens insistam que não gostam de mulheres muito magras. Porque afinal, aos
nossos olhos, as mais magras costumam serem as mais bonitas.
Essa preocupação com o emagrecimento tem vindo cada dia mais
cedo. É a necessidade de ser aceita logo depois da adolescência. Pelo menos
para mim, ao ver o resultado desse exame de colesterol de que eu não era mais
criança, afinal. Era o começo do meu próprio envelhecimento. A percepção de que
eu não poderia comer tudo, de que eu não posso fazer tudo. A lembrança de que
enquanto eu me entupo de doces, boa parte da minha família é diabética, e se eu
não controlar os doces agora, talvez mais cedo eu precise abrir mão do açúcar
de vez. E que se eu não maneirar na pizza e no macarrão, com esse colesterol,
posso entupir meus vasos sanguíneos de gordura e condenar a mim mesma a um
problema cardíaco.
Paralelo a isso veio o desejo de ser magra. Caramba, eu
tenho 21 anos! E lembro-me do meu corpo aos 17 com grande nostalgia. Não havia
culote, não havia barriga. Agora há. Agora há varizes e celulite.
E agora faço dieta e faço academia. Em parte pela saúde, eu
juro! Mas boa parte é pela estética. Tenho 21 anos e o medo de ficar velha me
aterroriza. Porque se mal consigo aceitar meu corpo na flor da idade, como vai
ser aos 30, aos 40? Minha autoestima vai para o buraco ou vou ganhar maturidade
para aceitar? Só o tempo vai dizer. Mas, céus, seria tudo muito mais fácil se
não houvesse a moça da novela!

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