domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ateu, o novo in



Deus que me livre de me tornar uma dessas beatas chatas, que ficam empurrando goela abaixo. Até porque, se existe um Deus onipresente e onipotente e existe quem não acredite nele, é porque Ele permite (e meu São Tomás de Aquino que não me deixa mentir quando disse que Deus nos deu o livre arbítrio).
Houve um tempo em que mostrar eu tem uma religião era uma forma de se auto-afirmar, de dizer que você era legal porque tinha um Deus no coração. Isso te colocava com um pé no céu enquanto o resto dos mundanos – coitados! – estariam condenados ao  mármore do inferno.
Mas agora a coisa o mudou, e as redes sociais estão aí pra mostrar isso. O bacana é ser ateu, é mostrar pra todo mundo que você não acredita em Deus. E se achar por isso. O ateu é aquele cara que não se ilude com “contos de fadas”, que acredita no preto no branco. O corajoso, o que acredita na ciência. E nessa brincadeira, o bacana é ficar divulgando isso a torto e a direito no facebook (porque nunca ficou tão importante mostrar mais do eu praticar com essa ferramenta), tirando sarro com os religiosos, ironizando, quase o chamando de imbecis e fanáticos. Ridicularizando as fés e os dogmas, como  se ter uma religião te colocasse em um patamar inferior.

Olhe, eu não sou nenhum exemplo de religiosa, não. Tive formação católica, fiz batismo e crisma, tudo como manda o figurino. Mas toda essa mistura religiosa me deixa confusa e me levou a crer que algo existe no plano espiritual – tenho fé que sim! Mas minha pequenez não me permite saber o que é. E como bom ser humano que vive em sociedade e pensa no bem comum, eu tento seguir o princípio básico de cultivar boas relações e respeitar o espaço alheio, e isso inclui aa fé. Não me importa francamente se você é do candomblé ou católico, se dança num terreiro de macumba toda sexta-feira ou se vai ao culto de saia longa com a família ou recebe espíritos numa mesa de ouija, tampouco se você é muçulmano e tem quatro mulheres desde que haja respeito nessa relação e todos estejam felizes com isso.  Só não me venha me obrigar a fazer o mesmo ou me olhar torto pela minha fé indefinida. Ou até porque gosto de ir a festas a  aproveitar as alegrias mundanas, porque afinal é esse mundo que existe. A régua que me regula é a régua do que eu acho certo e que não faz mal a ninguém. Se você propaga que expõe seu ateísmo e critica a religião porque “os religiosos é que não respeitam o seu espaço”, meu amigo, você está fazendo isso muito errado.
Não digo que ateísmo é o novo in porque acho que é só uma moda. Ou como muitos religiosos dizem, “aaaah, só é ateu até a hora de morrer, quando tá morrendo pede logo ajuda a Deus”. Sempre existiram ateus, que acreditam que de fato do pó viemos e ao pó retornaremos. Mas de repente virou bonito dizer que é ateu aos quatro ventos e debochar das religiões. Ter religião para esses é careta, gente que não vive. Religião para estes é coisa da  Idade Média e é incompatível com os  dias atuais.
Ora, estes que me perdoem, mas em pleno século XXI a religião serve de motor para quantos? Quantas pessoas não escaparam de uma depressão ao perder seu ente querido ao acreditar que ele continua ali, do seu lado, se fazendo presente em um plano espiritual e que está  em paz? Essa necessidade humana é bastante atual e se justifica. A vida é dura e cada um sabe o que precisa para se confortar. Não dá para argumentar como muitos dizem que não tem como provar a existência de Deus. Também não dá para provar a ausência. Religião é fé, e a fé vem de cada um ou não. Religião não é ciência, não dá para querer provar religião usando método empírico nem medição de nada. Claro que tem a ver com a cultura e com o meio que você vive, mas isso não significa que é meramente isso. Eu mal entendo do plano terreno, quem sou eu para ter a prepotência de entender de outro?
Não venha ser, por favor, o ateu Testemunha de Jeová que bate na minha porta às 7h da manhã quando estou ocupada e fica me empurrando papelzinho e lendo versículo da Bíblia (tenho uma casa, sou alfabetizada, logo posso ler se eu quiser). Nem aquele religioso que ficou me regulando porque eu estava de calça jeans e tomo cerveja. Antes seja o evangélico Instituto Manassés que, embora encha o saco na minha viagem de ônibus, mas que pelo menos está vendendo caneta para ajudar viciados em drogas que querem se recuperar. Não me venha ser o ateu que fica dizendo que é fofinho acreditar na “lenda” de Jesus como se fossem imbecis. Seja aquele ateu que vai sentar comigo numa mesa de bar e ter uma conversa interessante sobre filosofia. Seja aquele que independente da fé ou da falta dela respeita os outros. Ah, Deus que me livre, da intolerância!  Saravá e bate na madeira!!!!

A moça da novela – ou quando caiu a ficha


      Eu quero ser magra. Não que eu seja obesa. Na verdade, eu até estou dentro do meu peso ideal, e não teria nada para me preocupar se não fosse uma taxa de colesterol altíssima que me deu há quatro meses.
       Na verdade, nunca me bateu um desejo tão intenso de emagrecer como quando saiu o resultado desse exame. Sei lá, a ficha caiu. Eu sempre achei que fosse magra de ruim, que poderia comer o que eu quisesse teria um corpo legal e a minha saúde de ferro. Foi aí que eu percebi que não era assim.
       Foi aí que eu vi que eu, que vivia no limite da magreza, precisei perder 5 kg para chegar ao meu peso ideal. E comecei a calcular como meu peso começou a subir. Pensando bem, não foi do dia pra noite. Pensando bem, mesmo tendo uma alimentação regrada, eu não podia comer doces todos os dias. Que eu precisava comer doces, sei lá, quase nunca, se possível. Que rótulos de alimentos passaram a ser importantes.
         Foi aí que bateu todo um alerta de que se foi difícil perder peso agora, aos 21 anos, imaginem aos 40 quando o metabolismo não ajuda? E mesmo todos dizendo que estou magra, ainda vejo uma barriga saliente, e ela me incomoda. Parece pouca para quem vê de fora, mas para mim é muito.
         Sabe por quê? Porque ligo a TV e vejo mulheres de 40 anos com barrigas de tanquinho. Ah, aquelas atrizes magras da novela que me lembram tempo inteiro de qual o corpo eu gostaria de ter.... E eu, uma reles mortal com metade da idade, tenho um corpo pior. E quando eu tiver 40?
Eu engordei esses 5 kg que tirei de mim quase sem perceber, achando que comia sem engordar. Agora, com um olho na comida e outro na balança, sei que uma fatia de torta de chocolate me custa alguns gramas a mais e que pra compensar eu precisaria de uns três dias de dieta seguida á risca. Que pra queimar suas calorias eu precisaria de pelo menos 3h de atividade física intensa. Que eu mal tenho tempo para fazer.
          Pareço paranoica? Talvez. Mas não estou paranoica sozinha. Posso citar diversas mulheres até mais magras que eu que vivem na dieta, tudo seguido à risca. Todas nós queremos competir com a moça da TV, por mais que os homens insistam que não gostam de mulheres muito magras. Porque afinal, aos nossos olhos, as mais magras costumam serem as mais bonitas.
           Essa preocupação com o emagrecimento tem vindo cada dia mais cedo. É a necessidade de ser aceita logo depois da adolescência. Pelo menos para mim, ao ver o resultado desse exame de colesterol de que eu não era mais criança, afinal. Era o começo do meu próprio envelhecimento. A percepção de que eu não poderia comer tudo, de que eu não posso fazer tudo. A lembrança de que enquanto eu me entupo de doces, boa parte da minha família é diabética, e se eu não controlar os doces agora, talvez mais cedo eu precise abrir mão do açúcar de vez. E que se eu não maneirar na pizza e no macarrão, com esse colesterol, posso entupir meus vasos sanguíneos de gordura e condenar a mim mesma a um problema cardíaco.
           Paralelo a isso veio o desejo de ser magra. Caramba, eu tenho 21 anos! E lembro-me do meu corpo aos 17 com grande nostalgia. Não havia culote, não havia barriga. Agora há. Agora há varizes e celulite.
           E agora faço dieta e faço academia. Em parte pela saúde, eu juro! Mas boa parte é pela estética. Tenho 21 anos e o medo de ficar velha me aterroriza. Porque se mal consigo aceitar meu corpo na flor da idade, como vai ser aos 30, aos 40? Minha autoestima vai para o buraco ou vou ganhar maturidade para aceitar? Só o tempo vai dizer. Mas, céus, seria tudo muito mais fácil se não houvesse a moça da novela!